sexta-feira, 1 de julho de 2016

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As pessoas ficam sempre surpreendidas quando voltas, quando ousas dizer olá e, pior, quando decides ficar. Questionam porque não te abandono... como se não fosses tu a deixar-me em paz, como se eu te procurasse.
De ti já fugi, já me escondi as vezes que só eu e tu sabemos. E ainda quando estou bem, tu atreves-te sempre a visitar-me. Nem que seja só para um pequeno estrago, um pequeno susto. 
Fica escuro quando vens. Não há estrelas no céu em nenhuma noite e nem a lua eu sinto-me capaz de encontrar. Ocultas tudo e fazes de ti o meu mundo. Apoderas-te como se eu tivesse que viver de ti, para ti, contigo. Trazes-me as mais cruéis imagens, as piores memórias, as mais massacrantes questões e deixas-me cair as vezes que eu mais não aguentar ficar de pé. És veneno. És pesadelo. És a comida estragada que me dá a volta ao estômago. És o medo de viver. És o nó na garganta. És a prisão. És o frio. És a solidão... e ainda assim a companhia constante, persistente, chata. És o prender do respirar. És as lágrimas e o soluçar. És o descontrolo. És a raiva, a tristeza, a apatia. És o vazio. Preenches-te em mim de nada que és, com tanto que depositas. E eu vou deixando quando o que eu quero mais é que te vás embora. Deixa-me livre. Deixa-me ser. Deixa-me viver. Vai-te embora, de vez. Por favor.

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